“Equipa Europa”: juntos fazemos melhor | Opinião | PÚBLICO

Todos nós sentimos, em todo mundo, o impacto da pandemia da covid-19. O coronavírus continua a ser uma ameaça à saúde pública global e a crise socioeconómica, resultado de semanas de confinamento, criou um rasto de devastação, deixando muitos sem rendimento, com dificuldade em alimentar as respetivas famílias e sentindo-se inseguros nas suas próprias casas

A crise revelou com clareza que algumas pessoas estão particularmente expostas ao sofrimento. O fosso entre ricos e pobres nunca foi tão notório e a desigualdade, que já grassava nas nossas sociedades, reforçou-se tragicamente. Para muitos dos nossos países parceiros em África, na América Latina e na Ásia, a covid-19 exacerbou os problemas estruturais existentes. Os sistemas de saúde, tal como os de água e saneamento, encontram-se agora sob pressão acrescida, e o aumento do desemprego, especialmente entre as camadas mais jovens, veio expor ainda mais a fragilidade dos sistemas de segurança social.

No caminho que teremos de traçar para a recuperação desta crise global, haverá que encontrar respostas através da solidariedade, nas parcerias internacionais e na cooperação. Apoiar os nossos parceiros a lidar com as consequências da pandemia não é apenas a coisa certa a fazer, é também do interesse da Europa, tendo presente que a interdependência entre todos é hoje mais evidente que nunca.

É por esta razão que a União Europeia e os seus Estados-membros, atuando como Equipa Europa (“Team Europe”), investiram quase 36 mil milhões de euros para responder às necessidades dos mais vulneráveis a nível global. Pouco depois de a covid-19 ter sido declarada como pandemia, a Equipa Europa reagiu de forma rápida e concertada para ajudar os nossos parceiros a fazer face às necessidades imediatas da crise sanitária e das consequências por ela desencadeadas. Desde então, os meios alocados a esta resposta global continuam a crescer. Estes recursos destinam-se a financiar ações no curto, médio e longo prazo, adaptadas às diferentes necessidades dos nossos parceiros. A ajuda europeia está a prestar apoio a comunidades em todo o mundo na luta contra a pandemia – desde o transporte de mais de 20 toneladas de material médico para São Tomé e Príncipe, até ao apoio dado ao setor da saúde em Cabo Verde, ou o disponibilizado às Pequenas e Médias Empresas em Moçambique, através de bancos locais, para fazerem face a situações de falta de liquidez. A nossa missão é lutar contra a pandemia, em todo o lado. Precisamos de parceiros fortes para termos uma Europa forte.

A nossa prioridade imediata é, naturalmente, desenvolver, no mais breve prazo, uma vacina, que esteja disponível e seja acessível a todos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, organizou uma conferência de financiamento no passado mês de maio, que juntou governos, organizações da sociedade civil e doadores de todo o mundo, que no total angariou 9,8 mil milhões de euros para o desenvolvimento de diagnósticos rápidos, tratamentos e vacinas. Também a este esforço se associou Portugal, tendo o primeiro-ministro António Costa mobilizado uma contribuição significativa, entre verbas públicas e privadas. Este é mais um exemplo daquilo que conseguimos alcançar em conjunto como Equipa Europa e com os nossos parceiros internacionais.

Quando as próximas gerações olharem para este momento, queremos que reconheçam que os seus pais investiram na criação de um futuro melhor e de um mundo mais sustentável, justo e inclusivo para todos, para isso tirando pleno partido das oportunidades associadas à transição verde e digital

No entanto, teremos de ser realistas quanto à recuperação mundial num cenário pós-pandemia. Não poderemos voltar a um mundo pré-covid-19 como o conhecíamos. Nem nós, nem os nossos parceiros, que estão entre os países mais afetados pela emergência climática, pelas desigualdades crescentes, pelos atrasos no desenvolvimento humano e pela exclusão digital.

À medida que damos início à difícil tarefa de reconstruir as nossas economias e as nossas sociedades, teremos oportunidade – nas palavras do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres – de “reconstruir melhor do que antes”. Quando as próximas gerações olharem para este momento, queremos que reconheçam que os seus pais investiram na criação de um futuro melhor e de um mundo mais sustentável, justo e inclusivo para todos, para isso tirando pleno partido das oportunidades associadas à transição verde e digital.

 

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